O Fanatics Fest fechou as portas no domingo após quatro dias de celebração ao esporte e à cultura pop no Javits Center, em Nova York, consolidando-se como um dos maiores eventos de entretenimento esportivo do calendário norte-americano. A edição deste ano coincidiu com a final da Copa do Mundo no MetLife Stadium, palco vizinho, o que elevou a presença do futebol ao protagonismo inédito dentro do evento. Ao todo, cerca de 200 mil pessoas passaram pelos corredores do centro de convenções - um salto expressivo em relação às 125 mil da edição anterior -, e o custo de produção ficou entre 80 e 90 milhões de dólares, segundo o CEO da Fanatics, Michael Rubin.
Com o futebol dominando as conversas nas ruas de Nova York por conta da Copa do Mundo, o esporte mais popular do planeta ganhou espaço privilegiado nos painéis e na programação do evento. Em meio a debates sobre o desempenho das seleções e o legado de grandes jogadores, o momento gerou conexões inusitadas - como Tom Brady questionando Lionel Messi sobre a famosa foto em que o argentino banhava Lamine Yamal ainda bebê. A Copa trouxe também o contexto de análises sobre ídolos veteranos, num período em que temas como o de Cancelo rebate críticas a Ronaldo e Neymar dominavam o noticiário esportivo internacional. A presença de atletas de múltiplos esportes ao lado de astros do entretenimento - 400 no total - transformou o Javits Center numa vitrine desconcertante e plural do que significa ser fã em 2025.
Momentos que pararam o evento
A programação foi tão densa que nenhum credenciado, por mais dedicado que fosse, conseguiu absorver tudo. Na noite de abertura, na quinta-feira, os ex-colegas de Saturday Night Live Jason Sudeikis e Seth Meyers disputaram um desafio de compra de cards. Sudeikis circulou pelos estandes em busca do infame card de Bill Ripken da Fleer de 1989, e quando o revendedor da Grand Slam Collectibles disse que não tinha o exemplar, o ator pediu que ele escrevesse a expressão maliciosa em qualquer outra peça. O mesmo Sudeikis encerrou a noite com um card do arremessador Jacob Misiorowski, comentando apenas: "Água alta." Na tarde de sábado, Novak Djokovic enfrentou Brady, Justin Bieber e Logan Paul no tênis de mesa - um espetáculo que misturou competitividade e carisma em doses iguais.
Rob Gronkowski foi literalmente mergulhado num tanque cheio do famoso molho da rede Raising Cane's depois que Brady acertou o alvo com um passe de futebol americano. Ryan Reynolds apareceu no último dia para promover o set Topps Deadpool Chrome 2025, enquanto Karl-Anthony Towns, no Topps Trade Night de sexta-feira, devolveu um card de Victor Wembanyama a uma criança com a frase: "Isso aqui é Nova York. Você pode ficar com o Wemby." Justin Bieber, por sua vez, surpreendeu ao dominar os desafios do Fanatics Games na competição de basquete, vencendo a competição geral e superando Djokovic e Brady nas cobranças de três pontos. Brady compensou com uma cesta de logoman no vidro - típico do seu instinto competitivo.
Cards raros e colecionáveis que impressionaram
O universo dos cards foi o coração comercial e cultural do evento. Três exemplares diferentes do T206 Honus Wagner de 1909 - considerado o card mais icônico e valioso da história do beisebol - foram avistados em diferentes estandes do salão, um fenômeno que praticamente nenhum outro evento no mundo seria capaz de reproduzir. Um deles, restaurado no formato "die-cut" e pertencente ao ex-apresentador da ESPN Keith Olbermann, estava exposto no estande da CGC e atraiu uma fila constante de curiosos.
No segmento dos cards modernos, um Topps Chrome Gold Logoman patch card de Paul Skenes estava à venda por 125 mil dólares no estande da Canon Collectibles, de Beverly Hills. Também chamou atenção um card autografado de Tiger Woods ilustrado pelo lendário desenhista de quadrinhos Jim Lee - um dos apenas 415 exemplares distribuídos no evento de aniversário de 50 anos de Woods em janeiro. Pelas plataformas de revenda, os exemplares já ultrapassaram os 25 mil dólares. Fora do universo dos cards, o item mais emocionante foi uma folha de caderno em que LeBron James praticava a própria assinatura durante as aulas no ensino médio - inclusive uma versão "King James". Insatisfeito, James amassou o papel e jogou fora, mas sua professora o guardou. Décadas depois, o documento estava exposto no estande da Celebrity Mint, e LeBron, presente no evento, foi reencontrado com ele.
O que ainda pode melhorar
Apesar do sucesso inequívoco, a edição de 2025 também evidenciou gargalos operacionais que pedem solução. A área da Topps concentrou parte do problema: as janelas de retirada de produtos ficavam próximas demais ao palco, criando um congestionamento severo numa das zonas mais disputadas do evento - justamente onde apareceram nomes como Victor Wembanyama, Cooper Flagg e Karl-Anthony Towns. Separar fisicamente essas duas funções seria uma medida simples e eficaz.
A movimentação de celebridades pelo salão também gerou momentos de frustração para os frequentadores. Para abrir caminho entre os espaços, equipes de segurança bloqueavam temporariamente áreas inteiras, deixando fãs presos em cantos sem conseguir se locomover. A questão das opções de alimentação também foi levantada como ponto fraco: num evento que celebra a cultura de torcida em toda a sua extensão, a comida - parte fundamental da experiência nos estádios - ainda é tratada como detalhe. Por fim, a possibilidade de levar o Fanatics Fest para outras cidades - ou até outros países - ganhou força como debate interno. Manter o evento sempre em Nova York limita o alcance de uma iniciativa que, pela sua escala e diversidade, já tem pretensões globais.