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Marrocos Busca Vingança Contra a França nas Quartas da Copa do Mundo 2026

Quase quatro anos depois de ver o sonho histórico ser interrompido pelos franceses em Doha, Marrocos terá a chance de acertar as contas no Boston Stadium nesta quinta-feira, pelas quartas de final da Copa do Mundo de 2026. A seleção africana chega à fase eliminatória como a única equipe do continente a completar a fase de grupos sem derrota em duas edições distintas do torneio - feito alcançado em 2022 e agora repetido em 2026. A França, bicampeã em 1998 e 2018, caminha em direção à sua terceira semifinal consecutiva, mas encontrará pela frente um adversário que não se intimida com favoritismos.

Os Blues chegam ao duelo como favoritos segundo o supercomputador da Opta, que simulou 25.000 cenários pré-jogo e apontou 62,2% de probabilidade de vitória francesa nos 90 minutos. Kylian Mbappé lidera a artilharia de Les Bleus com sete gols no torneio, empatado com Erling Haaland - acompanhe mais sobre a estreia de Haaland na Copa para entender a dimensão da corrida pela Chuteira de Ouro - e a um gol de Lionel Messi, com Argentina e Noruega também nas quartas. Além dos gols, Mbappé distribuiu duas assistências e criou 12 chances no campeonato, um número que o coloca entre os jogadores mais determinantes do torneio.

Michael Olise complementa esse poder ofensivo com estatísticas que evocam comparações ilustres. O atacante do Bayern de Munique se tornou o primeiro jogador a completar 10 ou mais dribles (11), criar 10 ou mais chances em jogo aberto (10) e realizar 10 ou mais passes em profundidade (11) em sua estreia em Copas desde o brasileiro Zico, em 1978. Com Bradley Barcola e Ousmane Dembélé também em alta, a França acumula sete vitórias consecutivas em partidas oficiais, com 11 triunfos em seus últimos 12 jogos.

Mbappé, Olise e a Máquina Ofensiva Francesa

A vitória por 1 a 0 sobre o Paraguai nas oitavas de final não foi tranquila. O jogo foi marcado por um clima tenso - apesar de nenhum cartão ter sido aplicado aos sul-americanos - com provocações constantes que chegaram a tirar o ritmo da equipe de Didier Deschamps. Mbappé foi quem resolveu, convertendo um pênalti aos 70 minutos. A partida revelou que a seleção francesa, quando pressionada e desestabilizada, pode encontrar dificuldades para impor seu jogo.

Deschamps também lida com dúvidas no departamento médico. Aurélien Tchouaméni ainda se recupera de lesão muscular na virilha e pode ser substituído novamente por Manu Koné no meio-campo. William Saliba completou o jogo contra o Paraguai sentindo dores nas costas, e sua titularidade segue incerta. O técnico francês estará em seu 25º jogo como treinador em Copas do Mundo nesta quinta-feira, igualando o recorde histórico do alemão Helmut Schön, que somou esse total entre 1966 e 1978.

As Leões do Atlas e a Missão de Repetir 2022 ao Contrário

Para Marrocos, a missão é transformar a dor de 2022 em combustível. Na semifinal do Catar, gols de Théo Hernández e Randal Kolo Muani encerraram uma campanha que havia encantado o mundo árabe e o continente africano. Agora, sob o comando de Mohamed Ouahbi, os marroquinos querem reescrever esse capítulo.

A maior preocupação de Ouahbi é Ismael Saibari, que marcou em todas as partidas da fase de grupos mas foi substituído ainda no primeiro tempo da goleada por 3 a 0 sobre o Canadá nas oitavas, com uma lesão na coxa. Se o novo reforço do Bayern de Munique não estiver em condições de jogar, as atenções recaem sobre Brahim Díaz e Achraf Hakimi. Desde o início da Copa Africana de Nações de 2025, Díaz esteve diretamente envolvido em mais gols do que qualquer outro jogador de Marrocos em todas as competições - seis gols e quatro assistências. Hakimi, por sua vez, criou 15 chances neste torneio, o maior número já registrado por um defensor africano em uma única edição de Copa do Mundo desde 1966. Chadi Riad, que sofreu lesão no joelho contra a Holanda, também é dúvida.

Retrospecto e o que os Números Revelam

O encontro no Catar em 2022 foi o primeiro duelo oficial entre as duas seleções. Nos cinco confrontos amistosos anteriores, a França nunca perdeu: três vitórias e dois empates. No papel, o retrospecto favorece amplamente os europeus.

Mas há um dado que merece atenção: metade das derrotas da França em Copas do Mundo neste século vieram contra equipes africanas - três de seis eliminações, excluindo-se as disputas por pênaltis. Em sete jogos contra seleções africanas nesse período, os franceses perderam três vezes - mais do que contra equipes europeias (duas derrotas em 15 jogos) e sul-americanas (nenhuma derrota em nove jogos) somadas. O supercomputador da Opta aponta ainda 15,7% de chance de eliminação francesa em 90 minutos e 22,1% de probabilidade de empate, o que levaria a partida para a prorrogação e possivelmente para os pênaltis. Os números sugerem favoritismo claro para a França, mas não descartam Marrocos.

Se avançar, a França enfrentará Espanha ou Bélgica na semifinal, buscando se tornar apenas o terceiro país da história a alcançar as últimas quatro equipes em três torneios consecutivos - façanha que até hoje só foi atingida pela Alemanha e pelo Brasil. Para Marrocos, a vingança seria mais do que um resultado esportivo: seria uma declaração de que o futebol africano chegou para ficar no mais alto nível.