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Kessié coloca futuro na seleção em dúvida após eliminação da Costa do Marfim na Copa

Franck Kessié, capitão da Costa do Marfim, admitiu nesta terça-feira que pode encerrar sua carreira na seleção nacional após a eliminação do país na fase eliminatória da Copa do Mundo de 2026. A derrota por 2 a 1 para a Noruega, em Dallas, pôs fim à campanha dos Elefantes, que chegaram pela primeira vez na história a uma fase de mata-mata de um Mundial. Erling Haaland marcou o gol da vitória norueguesa aos 86 minutos, depois de Amad Diallo ter igualado o placar aberto por Antonio Nusa.

A partida encerrou um ciclo de representatividade inédita para o futebol marfinense no cenário global, num momento em que ligas e mercados europeus disputam cada vez mais a atenção do mundo - para entender a dimensão financeira desse ecossistema, leia sobre o valor recorde da Premier League, que ilustra bem o tamanho do negócio no qual jogadores como Kessié estão inseridos. Aos 29 anos, com mais de cem partidas pela seleção e um título da Copa Africana de Nações conquistado em 2023, o volante do Al-Ahli chega a uma encruzilhada natural na carreira internacional.

O capitão não abandona o navio - por ora

"É difícil tomar uma decisão no calor do momento, especialmente depois de uma decepção como essa", disse Kessié ao fim da partida. "É como estar em um barco que está afundando agora. Como capitão do navio, você não o abandona enquanto ele está indo ao fundo. Qualquer decisão virá depois." A metáfora resume bem o estado emocional de um líder que atravessou o torneio com autoridade, mas saiu sem a recompensa que a campanha parecia merecer. Kessié participou de praticamente todos os minutos da Costa do Marfim na Copa - ficou de fora apenas os 13 minutos finais em algum jogo - e foi um dos destaques técnicos da equipe de Emerse Faé, inclusive marcando o primeiro gol do duelo com a Alemanha na fase de grupos, embora os marfinenses tenham perdido aquela partida por 2 a 1.

O jogador também reconheceu o peso de uma temporada longa. "Estamos terminando só agora, em 30 de junho. Vamos descansar um pouco, e depois o futuro vai se revelar", completou. Ele havia se recuperado de uma lesão sofrida em campo com o Al-Ahli em 6 de maio para chegar ao Mundial - um esforço que evidencia o nível de comprometimento com a camisa nacional, independente do que vier a seguir.

Domínio sem eficiência: a síntese de uma eliminação dolorosa

O que torna a derrota ainda mais amarga é a leitura estatística do jogo. A Costa do Marfim foi superior em volume de jogo - mais finalizações, 12 escanteios contra apenas três da Noruega -, mas entrou no intervalo em desvantagem após o golaço de curva de Nusa aos 39 minutos. O empate veio com Diallo, reserva que entrou na hora e balançou as redes 14 minutos depois em jogada individual de alto nível. O problema foi o que se seguiu: os Elefantes recuaram após o gol, deram espaço à Noruega e foram punidos por Haaland a quatro minutos do apito final.

"Absolutamente, temos arrependimentos", admitiu Kessié. "Não fomos eficientes o suficiente nos últimos dez metros. Eles tiveram apenas uma ou duas chances no primeiro tempo e foram para o intervalo na frente. No segundo tempo, precisamos pressionar ainda mais, e isso acabou nos custando fisicamente no final. Buscamos o empate, igualamos, ganhamos o momento psicológico - mas então pequenos detalhes mudaram tudo. Uma vez que ficamos atrás de novo, ficou muito difícil buscar o jogo nos últimos cinco minutos nesse nível."

Noruega avança; Costa do Marfim reflete sobre o legado

A Noruega segue na competição e enfrenta o Brasil nas oitavas de final, em New Jersey, no dia 5 de julho - um confronto que já desperta enorme interesse tanto no mercado europeu quanto no brasileiro. Para a Costa do Marfim, resta o retorno para casa e o início de uma reflexão coletiva sobre os rumos da seleção. Kessié, que estreou pela equipe nacional em 2014, carrega o peso simbólico de uma geração que chegou ao seu pico histórico - primeira fase de mata-mata da história do país em Copas do Mundo - mas que não conseguiu avançar. A decisão sobre seu futuro internacional, quando vier, será determinante para o processo de renovação que Faé precisará conduzir nos próximos ciclos.